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quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Palestra FHC em Florianópolis. Opiniões de um estadista sobre os rumos do Brasil.

Amigos leitores, no último dia 06 de outubro, tive o privilégio de assistir à palestra proferida pelo ex-Presidente da República, o Dr. Fernando Henrique Cardoso, com o tema "por onde caminha o Brasil".


O ex-presidente, homem de luzes e sensatas palavras, teceu um apanhado geral sobre a história do Brasil e como chegamos aos tempos atuais, elegantemente dando crédito a todos os presidentes que contribuíram para o avanço de nosso país neste tempo, com destaque para Collor, Itamar, FHC (ele mesmo) e Lula - ao que complementou:  - Eu tenho um compromisso com a verdade, sou professor, preciso dizer quem fez o que. Lula é político, não tem compromisso algum com a verdade, nem sabe o que fala na maior parte das vezes.

Seu posicionamento sobre o futuro do Brasil é muito claro: temos peso político e econômico para opinarmos onde estão nossos interesses diretos, a América Latina. Não nos cabe opinar sobre o Irã, ou o conflito Israel-Palestina, pois há apenas uma potência militar mundial, os EUA, e este não é o nosso território de influência. Disse ainda o professor Fernando Henrique, que não é necessário grande PIB para sermos de 1º mundo, posto que países como a Polônia, Suécia, Suíça e outros nórdicos são grandes países sendo pequenas economias. "-Para ser um grande país, não é necessário ter um grande PIB, é necessário sermos grandes pessoas", disse, jogando peso na tarefa da educação para o crescimento.

terça-feira, 20 de setembro de 2011

CIVILIZAÇÕES - O OCIDENTE E O RESTO (OU 6 APLICATIVOS DA RIQUEZA) - Por Niall Ferguson

Professor de História e Administração de negócios da Universidade de Harvard, o escocês Niall Ferguson explica em uma rápida palestra o que ele chama de 6 "killer apps", ou aplicativos matadores, que produziram a riqueza no ocidente.

Em resumo, Niall demonstra que são o conjunto de leis do Estado de Direito que garantiu tal prosperidade, e avança com a palestra.

Segundo o professor, até os 1500, as sociedades orientais eram mais ricas que as ocidentais, o que começou a mudar nos anos 1800. Desde então, até os anos 1970 (73, para ser mais exato) as sociedades ocidentais (Europa ocidental, EUA, Austrália e Canadá) explodiram em riqueza, sendo que. em 1973, um americano médio era 20 vezes mais rico que um chinês médio.

Niall demole os mitos mais comuns associados a esta mudança econômica, que são:

1 - Mito: O imperialismo é a causa. O professor Niall demonstra que impérios existem há muitos milênios, e apenas desde 1800 que se tornaram tão prósperos;

2 - Mito: região geográfica deve ser uma das causas. Citando os exemplos das Alemanhas, separadas no pós-guerra, em que uma, a comunista, produziu os piores carros do mundo, enquanto a ocidental capitalista produz Mercedes; assim como o exemplo das Coréias, separadas nos anos 50 e hoje muito distantes em todos os indicadores possíveis, Niall encerra o assunto rápida e eficientemente, com a lógica fria dos anglófonos. 2 exemplos de povos divididos, que, em pouco tempo, dividiram-se totalmente.

Niall explica (e fundamenta!) que os 6 "aplicativos " são:


  1. Concorrência:
      1. A concorrência entre instituições e empresa motivou a evolução da sociedade e tecnologia.
  2. A revolução científica:
      1. Enquanto as sociedades orientais se voltavam para a burocracia confuciana ou a teocracia muçulmana, as universidades se firmavam como fonte da ciência e instituição central na sociedade; Só existem as verdades que podem ser comprovadas cientificamente.
  3. Direitos de propriedade privada:
      1. Cidadãos só competem e formam instituições se houver garantias de que seus bens serão protegidos.
  4. Medicina moderna:
      1. A medicina dobrou a expectativa de vida e a saúde das populações ocidentais (e de suas colônias...);
  5. A sociedade de consumo:
      1. Tão atacada como a causa de todos os males na academia brasileira, a sociedade de consumo é a mola propulsora da indústria. Só há estímulo para fabricar mais e melhor e mais rápido se houver a demanda por novas e melhores coisas.
  6. A ética do trabalho:
      1. O trabalho dignifica o homem. Tal adágio conflita com a visão latina de "lavoro - labor", ou trabalho como sofrimento físico. Esta ética de louvor ao trabalho, que nos deixa culpados quando não somos produtivos, é uma das raízes da riqueza.
A excelente palestra pode ser conferida aqui:


Para mim, foi muito interessante assistir a um historiador barbeado, que fala de administração e riqueza sem conotação negativa. No fim, o palestrante afirma que as sociedades ocidentais estão perdendo alguns desses valores, e o resto do mundo, inclusive o Brasil, está se aproveitando deles, que estão livres para "download" e aplicação.

Só fico triste de perceber que há setores, mesmo na academia, que profetizam o atraso, buscando destruir cada um dos avanços acima, como se fossem "maus". Pense no corporativismo e Estatismo defendidos pelo atual governo, se não é uma afronta à concorrência (como mostra a recente alta nos impostos de importação de automóveis). Lembre da onda "new age", com florais para cá, benzeduras para lá e abrigo de toda essa bruxaria sob o Estado, sob o título de "pluralidade" cultural, que afronta a revolução científica e a medicina moderna, também sob ataque da Anvisa, corporativista e preconceituosa.. Veja como o MST,  ataca os direitos de propriedade dos empresários rurais. Perceba como a sociedade de consumo é atacada por "administradores" em artigos de periódicos concorridos, e como a ética de trabalho é pisoteada pela ênfase no funcionalismo e os insuportáveis tributos que oneram o empreendedor privado.

Se você deseja assistir mais do professor Niall Fergusson, há uma série de tv produzida e estrelada por ele com vários capítulos disponíveis no Youtube. 

Abraços!

Flávio Kauling.